segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Enfie a faca no meu peito e goze

A paixão é como o fósforo, depois de aceso queima, e depois de queimado não resta nada fora as cinzas do que um dia já foi abstrato. Nossos olhos desejam, nosso corpo treme de vontade, nosso coração corre de encontro a morte. Mas ao final de três meses, o fogo antes tão presente queimando a alma se esfria como nitrogénio líquido, trinca e quebra, dói e machuca. E assim mais um ponto na vida nos faz sangrar.


Não posso dizer que vejo um fim bonito da minha vida mas não posso negar que vejo um fim. Mas tudo se torna mais fácil quando percebemos que não somos imortais. Saber que sangramos nos torna doentes. Corte um pedaço da carne e deixe o sangue arder na ferida aberta de um corpo já nem tão fresco assim, leve o líquido á sua boca e me diga o gosto que tem. Quente, encorpado e suculento, sangue é o alimento preferido dos vampiros.

Antigamente meu coração chorava lágrimas ácidas que corroíam meu corpo, minha alma. Hoje o que mais me machuca são as lágrimas que não são choradas, aquelas que meu coração sente mas não consegue expelir. Essas são as que mais destroem o que temos por dentro mesmo que não reste muita coisa. Elas devastam o que tem pelo caminho, esperança, fé, calma. Acabam com o que temos de melhor, carinho, compreensão, amor...os dspojos putrefam no canto da alma, ou pelo menos o que sobrou dela...


Nenhum comentário: