domingo, 15 de agosto de 2010

Borboletas

Bato asas para lugares infinitos, vejo montanhas cumes brancos, daqui parecem torrões de açúcar. Quero uma companhia para voar, do que adianta isso tudo se não há com quem compartilhar?! Não me cortem as asas, eu só parei pra descansar. Ás veses paro aqui só pra apreciar a solidão...ter asas não me fazem mais feliz porém são únicas, autênticas, minhas.
Vejo, viajo, vigio, tudo tão lindo, belo com seus pequenos defeitos. Não guardo nada na lembrança, a paisagem muda a forma mas não a essência.

Estava esperando um "amigo", que assim como outras veses me deu um bolo, sumiu, sem dar desculpas ou ter comigo alguma consideração. Enfim, fui com uma amiga da faculdade dar uma volta no camelo no centro da cidade, e no meio da rua vi um pequeno gatinho, sendo quase pisotiado por uma homem gordo (ou essa era a minha desculpa pra poder pegá-lo). Ele tinha um irmãozinho, deviam ter um pouco mais de doze dias, não pensei duas veses, catei os dois e levei pra casa.
Passaram dois dias em casa, dei comida e carinho, tentei achar um lugar para eles ficarem mas não achei nenhuma casa de abrigo. Tive que levá-los a muito custo e contra a minha vontade para Suipa. Falei para todos que queria e podia cuidar deles, que não me importava em gastar praticamente quase todo o meu salário naqueles dois gatinhos. Cácá e Dádá, sentirei saudades dos meus bêbês. Pensei em até me voluntariar na Suipa, pra ajudar, sei lá...


Oh! que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais. Que amor, que sonhos, que flores, naquelas tardes fagueiras à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais. Como são belos os dias do despontar da existência! -Respira a alma inocência como perfumes a flor. O mar -é lago sereno. O céu -um manto azulado. O mundo -um sonho dourado. A vida -um hino d'amor! Que aurora, que sol, que vida, que noites de melodia naqueladoce alegria, naquele ingênuo folgar! O céu borbado d'estrelas, a terra de aromas cheia, as ondas beijando a areia, e a lua beijando o mar! Oh! dias da minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce avida não era naquela risonha manhã! Em vez de mágoas de agora, ei tinha nessas delícias de minha mãe as carícias e beijos de minha irmã! Livre filho das montanhas, eu ia bem satisfeito, de camisa aberta o peito, -pés descalços, braços nus-, correndo pelas compinas, a roda das cachoeiras, atrás das asas ligeiras das borboletas azuis! Nauqeles tempos ditosos ia colher as pitangas, trepava a tirar as mangas, brincava à beira do mar. Rezava às Aves-Marias, achava o céu sempre lindo. Adormecia sorrindo e despertava a cantar! Oh! que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais! -Que amor, que sonhos, que flores, naquelas tardes fagueiras a sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais!

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