domingo, 5 de setembro de 2010

Quem sou eu?

E me achei no termo sem saber o que eu era ou o que estava fazendo. Até que alguém me falou: você é um caco de vidro em cima do muro. Sim, quem passa por mim pra chegar ao outro lado não só se arrisca como também sai machucado. E eu? eu fico suja, com marcas e resquicios da carne daquele que quis pular o muro invés de abrir o portão. Eu sou o desafio e a aventura mas uma hora a pessoa se cansa da brincadeira e toca a campainha. E eu fico ali, sozinha novamente, aguardando que outro alguém resolva se aventurar pelas minhas pontas afiadas. E tenta até sair ileso e quando o desafio é superado, toca a campainha.



Aos seus olhos o que eu fui? NADA; me conformo com o nada...mentira. Ser nado dói num coração que não existe. MInha carne fresca nunca foi desejada ás suas mãos, elas me cortarm, me arranharam e dilaceraram minha alma. Seu corpo penetrando em mim sufocou meu gozo, morreu, enforcado, esfaqueado. Meu útero chora a sua falta. Meus lábios secos, cortados, sangram a falta de você e minhas mãos, seu rosto, já não acham razões para ter dedos. Meu monte de eu procura onde foi que você injetou o veneno, corre em meu sangue e cresce matando no meu ventre.



Aos seus olhos o que eu sou? Objetivo, me possuir, me conquistar, poder dar mesmo que a força um beijo nos meus lábios. Minha carne fresca, meu corpo mudado, estranho, dilacerado você quer comer na mesa de jantar, na cama, no canteiro de flores. Seu cheiro de álcool me dá medo, não sei se pensa com que que cabeça. Sua falta de lucidez lhe dá coragem, agora, possui, entra em mim achando que plantará a ânsia de ser sua em meu colo. Meus olhos lânguidos procuram no céu respostas, não tento te tirar daqui, canso, eu quero, choro, morro em seus braços e mesmo assim não para.


Aos seus olhos o que serei? Eu ainda não sei.

Sou só uma garota confusa procurando paz de espirito, nos seus braços, outros abraços. Me perdendo mas nunca me achando. Sabendo que poderei me arrepender, doer em minha alma morta não ter querido te ter mais uma vez. Presa em mim mesma não consigo fugir. Mas pra isso não desisto, entrei no labirinto quando nasci e não vai ser morrendo que encontrarei a saída. Não sei quando e nem se algum dia sairei dele, mas sei que tudo que possui um começo tem também um fim.

Se já não morri, não sei porque me mantenho viva.

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