Dois dias haviam se passado, o mundo ainda rodava, sempre pra frente e Ella estava sentada na arei da praia escutando os sons do vento e fumando um cigarro. As ondas quebravam á cem metros adiante e pareciam cada vez mais atrativas. Apagou o cigarro na areia e correu pro mar de roupa e tudo, um mergulho naquela água morna de fim de tarde, naquela praia vazia de início de manhã...
Ella deitada na canga pensava no mundo ao seu redor que nunca parava de andar, nunca pra trás...cansada, exausta de cobranças e pressões que não haveriam de acabar esse ano se deixou derramar uma lágrima no meio daquele deserto onde ninguém haveria de ver sua fraqueza escorrendo pela sua face.
As estrelas que surgiam no céu iam despertando a força, a esperança e um sentimento de passagem no seu coração(ou na sua mente). Se sentiu feliz por estar ali, por ver aquele céu tão lindo que não conseguia mais enxergar da janela da sua casa, sortuda por ter tudo aquilo como espectadores da sua tristeza tão ínfima diante do universo, sortuda por sua tristeza ser tão ínfima diante do universo...
Quis fechar os olhos e dormir ali, pra não acordar mais, pra sumir,pra'quela areia engoli-la e aquela água enterrá-la. Mas como tudo na vida d'Ella, que costumava ser rápido e tumultuado, esse momento foi interrompido pelo toque de um celular que gritava uma música incompreensível aos nossos ouvidos.
Uma voz masculina chamava por Ella, por seus beijos, por seu corpo. Victor aclamava sua presença na casa dele que ficava, simplesmente, do outro lado do calçadão. Ella suspirou, levantou, olhou pro mar e andou. Do outro lado da rua deu uma última olhada pro céu e sorriu, derrepende tudo pareceu mais fácil e gostoso.
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